24.5.12

Obstáculos constantes

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos a sofrer, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.

É complicado por vezes no meio de tanta coisa a dar errado, levantar a cabeça e tentar seguir em frente. Há sempre alguma coisa que nos prende de seguir determinado caminho, há sempre alguma coisa que teima em fazer-nos desistir, há tantas mentiras que ofuscam as nossas verdades, há tantas palavras mal ditas sem pensar nas consequências... e é tão difícil tentar seguir um rumo quando nos vimos presas a tanta coisa. Tem alturas em que consigo abstrair-me, porque preciso, porque necessito disso, porque tenho em mim todos os sonhos do mundo e só eu os sou capaz de os realizar, mas em contra partida, há alturas tão difíceis.

10.5.12

Coisas por dizer

“Eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem com regularidade, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas, nem como serão ouvidas.
Caio Fernando Abreu

6.5.12

Difícil é...

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“É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando. Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. (...) Mas eu acredito na , na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.
Ana Jácomo