26.3.10

...

Porque muitas das vezes a necessidade de expressar o que sentimos é muito grande. Sentimos necessidade de deitar cá para fora, tudo o que está preso. Felizmente há a escrita que nos liberta a alma melhor do que ninguém. Às vezes o tempo é nulo, confesso. Mas não é por isso que deixo de ter a necessidade de o fazer. É como uma droga, um vício.
Embora sem saber o que falar concretamente, tenho algo preso que precisa de ser libertado. É algo maior do que consigo explicar. É sentimentos ainda não desvendados, é sonhos ainda não concretizados, objectivos ainda não conseguidos. Mas a esperança vive em mim, caso contrário já tinha desistido à muito tempo. Acredito no amanhã melhor e num mundo que se vai tornar melhor. Apesar de não ser dona do mundo, sei que quem o é, é mais poderoso do que qualquer desilusão, medo, angústia, maior tristeza juntos. E eu sei que Ele não nos vai desiludir nunca. Embora nem sempre tenho as certezas necessárias, tenho sempre os objectivos traçados e é isso o que faz de mim uma pessoa lutadora, embora com defeitos como toda a gente. Nem todas as pessoas gostam de quem sou, umas pela primeira impressão, outras com os seus motivos, juntos ou não. Mas faz parte, é algo com que toda a gente vive e eu não sou nem queria ser excepção. Há uma força qualquer que faz de mim uma pessoa que consegue seguir em frente mesmo quando estou no fundo do túnel sem motivos para lutar para vencer. Quando lutar já não faz parte dos meus planos, algo muda o meu caminho e dou por mim com o obstáculo alcançado. E é a esperança de um mundo melhor, que me faz ter forças para vencer.

AlexandraPinto, 30-01-2010 ; 17:30h

25.3.10

história de uma vida;

«Parecia ser um plano perfeito, ate ter começado a pensar em tudo o que poderia correr mal. Ao inicio parece sempre tudo perfeito, mas e se… Pois e se em vez disso, ou talvez possa ser antes assim, ou então não.
Eu era assim complicada, triste e complexada, achava que nada corria bem, nem nada nunca iria correr. O meu lado sombrio era eu própria, e não havia outro lado sem ser sombrio. Um dia decidi, era hoje, e afinal não foi, não tive coragem. Outro dia foi, num outro dia, enchi-me de coragem, fui ao quarto dos meus pais, abri o guarda-fatos, subi a prateleira, e tirei de lá a arma que o meu pai escondia. Estava mesmo decidida a não ser mais infeliz, não dar mais trabalho a ninguém. Peguei nela, encostei na cabeça e matei-me. Pois, nem a arma estava carregada, nem tão pouco era verdadeira. Mais envergonhada do que assustada, saí dali a correr. Não deixei sequer uma carta, não dei uma justificação, ate porque ela não existia. Apanhei a primeira caixa de medicamentos que encontrei e meti-os a todos na boca, mastiguei tudo apesar do horrível sabor, desta vez era mesmo o fim, não quis mais pensar. Começaram as náuseas e quis desistir, liguei para o meu pai, liguei para a minha mãe, chorava muito quando a ambulância chegou e depressa me levou para o hospital.
Infelizmente, depois de desistir, o resultado não foi o esperado, nem para lá caminha, no meio disto tudo, sem eu perceber nada, o meu corpo morreu, mas eu estou cá, a minha cabeça está cá, fechada dentro deste corpo morto e sem poder dizer o que quer que seja. O mal dos meus males, duplicou, triplicou e multiplicou por tudo o que de mal havia comigo. Não procurei ajuda, não quis ajuda, não quis ajuda nem nunca contei a ninguém, agora, não posso nunca mais contar. Não posso nunca mais, chorar, não posso nunca mais, não gostar do mundo, que afinal ate gostava mais de mim que eu dele. Agora, a minha agonia será o meu pagamento por ter querido deitar fora, a maior bênção que algum dia recebi. Aquela que recebemos todos, mas alguns de nós só vêm um fardo no seu lugar.

A vida já é curta demais para ser assim desperdiçada, é dura e difícil por vezes,mas só nós podemos mudar isso. Vida só há uma, eu deitei a minha fora e tenho de vegetar numa cama, agora, ate ao final dos meus dias, trocava tudo, dava tudo, para poder voltar atrás.»

24.3.10

nunca saberás...

«Talvez não foi a melhor ideia ter-te contado o que se passava no meu coração, hoje sei que as minhas palavras foram em vão e que hoje não passaram de isso, meras palavras. Como já pensei vezes sem conta na minha cabeça, tudo passou de um mero sonho. E como todos os sonhos não existe eternidade, o meu tempo acabar no preciso momento em que me deparei naquela situação. As forças que as tinhas, perdi-as e a vontade de sorrir desapareceu a partir desse momento. Todas as pessoas têm momentos de tristeza, mas nunca estão preparadas. A dor é tão triste que chego a ter pavor dela, chego a chorar de ver que ela está a chegar a mim. Hoje sei que as pessoas que mais amamos, são as pessoas que muitas das vezes retiram toda a felicidade e que levam um bocadinho de nós com cada lágrima de sofrimento. Levam o sorriso, a esperança e um sonho, um sonho que demoro tempo demais a construir e é triste velo desaparecer por breves instantes. Sinto algo cá dentro que precisa de ser libertado, está demasiado preso e não aguento viver com isto muito mais tempo. É como me proibissem de respirar normalmente e me tirassem metade de mim. A sensibilidade é cada vez melhor, as emoções cada vez mais reviradas ao avesso e a respiração cada vez mais inconstante. Não me perguntem o que se passa, não me perguntem o porquê, não me perguntem porque me senti assim quando já deveria estar preparada por favor, que eu não tenho respostas para essas perguntas. As incertezas e as reviravoltas na minha cabeça são cada vez maiores e isto está-me a deixar louca.Mesmo dando o melhor de mim, mostrando como sou… Dá nisto! Valerá a pena? »



Afinal, nunca me conhecesses-te suficientemente bem, que desilusão!

23.3.10

guardar só o que é bom de guardar.


« Hoje dou por mim a tentar esquecer, o que desde sempre quis manter, porque naquele momento valeria a pena ser recordado com orgulho, mesmo quando não fazia sentido isso acontecer. Hoje sinto que isso é algo que marcou, muito até, mas tem de sair para eu continuar. Porque uma pessoa pode ser hoje uma coisa e no futuro ser outra, completamente diferente. Tenho cada vez mais desilusões, cada vez mais bato com a cabeça quando vejo que apenas nunca passou de uma ilusão, mesmo que antes parecesse tão real. Hoje apenas me resta ter a consciência que a minha vida vai mudar, não se vai manter constante e vou tentar sempre, não cometer os mesmos erros e guardar só o que é bom de guardar. »

Marta Gautier in "Tanto que eu não te disse".

"- Gostas de mim?
- Gosto.
- Gostas como?
- Gosto de estar contigo. De falar contigo.
- Queres namorar?
- Não.
- Porquê?
- Porque já não ia ser igual.
- Igual?
- Sim. Igual ao que temos agora.
- Porquê?
- Porque o princípio é sempre a parte melhor.
- Queres ficar sempre no princípio?
- Se for possível...
- Então, não queres ter ninguém para sempre...
- Talvez não.
- És complicado.
- Se não namorar sou menos.
- Tens medo que eu não goste da tua complicação?
- Tenho a certeza que não vais gostar.
- Como é que sabes?
- Porque acho que conheço alguma coisa das pessoas.
- Achas?
- Talvez.
- E do amor?
- Conheço pouco.
- Então, também não podes conhecer muito das pessoas.
- Talvez tenhas razão, mas não me apetece discutir isso agora.
- Então o que queres discutir?
- Nada. Só ficar assim a olhar para quem passa e falar de banalidades.
- Queres falar de banalidades para sempre?
- Não. Podemos falar de assuntos importantes, desde que não seja sobre nós.
- Assim não vão ser importantes.
- Para ti é essencial falar de nós?
- É.
- Para quê?
- Porque gosto de ti. Achas pouco?
- Acho muito. Por isso não vamos deitar tudo a perder.
- A perder?
- Sim. Se começamos a falar de nós fica tudo complicado e os problemas aparecem."