24.6.12

Cresci

Confesso que me dá uma saudade irracional de ti. E tenho vontade de voltar atrás, de te ligar, de te dizer mil coisas, e cair nas tuas mãos, sem me importar com nada, simplesmente entregar-te o meu coração. Mas não, renuncio, controlo-me e digo para mim mesmo que não é assim, que não pode ser, que tu se foste embora, e não vais voltar.
Caio Fernando Abreu


Cansada de tentar lutar por uma causa perdida, vejo-me forçada a desistir de ti. Nunca é fácil lidar com o fim, mas temos de o aceitar. Vi-me num mundo onde estar sem ti não fazia qualquer sentido, fazias parte de mim e não podias deixar de fazer. Mas chega, cansei. Tenho realmente coisas mais importantes na minha vida e o meu mal foi colocar-te sempre em primeiro lugar. Mas apesar de saber que perdi muito tempo contigo, sinto que ainda vou a tempo. Que ainda posso abraçar um mundo onde tu não és personagem principal. Não me perguntes porquê, mas sinto. Talvez porque sou uma pessoa de esperanças e tenho uma sede e uma ânsia de ser feliz e sou capaz de tudo para sentir que a vida é muito mais bonita quando sorrimos verdadeiramente e quando lutamos contra tudo e todos. Antes fazia tudo por ti, agora faço tudo por mim... Acho que cresci.
Imaginação do momento.

5.6.12

Ironia da vida

A vida às vezes consegue ser bem irónica. Fazemos sempre de tudo para que as pessoas permaneçam, porque gostamos delas... Mas há situações que impedem completamente que isso aconteça. Não é porque não queremos, é porque tem de ser assim. Será melhor, mudará alguma coisa?


Fico cansada, sinto que tudo ajuda a que no fundo, as pessoas se vão afastando da minha vida. Quando finalmente sinto que "reconquistei" alguém a seguir acontece sempre alguma coisa, levo sempre uma facada nas costas... Resta-me ser forte e arranjar essa força sabe-se lá aonde, resta-me entender e seguir em frente como se nada se tivesse passado, como se fosse possível. Afinal sou humana e tenho sentimentos. E não sou uma pedra onde podem bater sempre que quiseres e ela fica sempre intacta. Até ela às vezes, por tantas vezes ser atirada, gasta-se, começa a ficar mais pequena e frágil. Todos nós somos assim! Não me peçam coisas que eu não consigo fazer.

24.5.12

Obstáculos constantes

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos a sofrer, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.

É complicado por vezes no meio de tanta coisa a dar errado, levantar a cabeça e tentar seguir em frente. Há sempre alguma coisa que nos prende de seguir determinado caminho, há sempre alguma coisa que teima em fazer-nos desistir, há tantas mentiras que ofuscam as nossas verdades, há tantas palavras mal ditas sem pensar nas consequências... e é tão difícil tentar seguir um rumo quando nos vimos presas a tanta coisa. Tem alturas em que consigo abstrair-me, porque preciso, porque necessito disso, porque tenho em mim todos os sonhos do mundo e só eu os sou capaz de os realizar, mas em contra partida, há alturas tão difíceis.

10.5.12

Coisas por dizer

“Eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem com regularidade, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas, nem como serão ouvidas.
Caio Fernando Abreu

6.5.12

Difícil é...

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“É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando. Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. (...) Mas eu acredito na , na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente.
Ana Jácomo