Hoje peguei no telemóvel com o intuito de te mandar mensagem. Confesso que tenho saudades de quando tinhas iniciativa e vontade para o fazer. Passou-me mil e uma imagens na minha cabeça, contudo não te mandei nada. Acho que não ias perceber, mais uma vez, que tenho saudades tuas. Muitas saudades tuas.
Sinto que agora não é por orgulho que não te mando nada, é mesmo a necessidade de receber algo teu e ter a sensação de que te lembras-te, sem eu te ter dito nada. É a necessidade de sentir o teu cheiro mais uma vez, nem que seja a última. De sentir o teu abraço mesmo que nunca mais o tenha. Um último beijo. Preciso de te olhar olhos nos olhos e ouvir-te em silêncio, de ver esse teu brilho. Que saudades.

São tantas as imagens marcantes que tenho tuas. E depois de ontem ter visto o céu cheio de estrelas lembrei-me que, ironicamente, foi contigo que vi uma estrela cadente e pedi um desejo, a única estrela cadente que vi até hoje. O mais irónico também é que nessa altura nunca nos tínhamos imaginado juntos, nunca tínhamos pensado que ia acontecer o que nos aconteceu, mas nessa noite, que ainda hoje guardo com tanto carinho, porque estavas lá, lembro-me de no meio do nosso grupo de amigos fomos os dois, os únicos a ver essa mesma estrela e olhamos um para o outro fixamente e rimo-nos. E o mais irónico ainda é que estava mesmo à tua beira, com o teu casaco e tu estavas abraçado a mim para eu não ter frio.
Ironia do destino? Então que essa ironia, que esse destino... nunca acabe.